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Romancista, ensaísta e cronista, Júlia Grilo nasce em Salvador, no início do ano 2000, firmando-se na transição dos milênios. É, porém, a partir da consonância entre o sertão e o recôncavo baiano que encontra os fundamentos de sua literatura: morando em Amélia Rodrigues, deslocava-se a Feira de Santana quase que diariamente, do ginásio ao fim do colegial. “(…) No sertão eu costumava estar de passagem, nunca para dormir; meu sono era úmido e abafado, lambido pelo melaço da cana-de-açúcar”. Enredada na cibercultura, aos 10 assimila a linguagem internética e,

através da escrita em blogspots, esboça as bases de sua estética, marcada pelo coloquialismo, pela rapidez e, sobretudo, pela ruptura com a anterioridade. Aos 15, escreve o seu primeiro livro, um ensaio sobre a escola a partir de sua perspectiva estudantil, fazendo uso de estilística tensa, espirituosa e estridente. Este texto, nomeado Perdemos o futuro, é a gênese essencial de seu projeto literário e configura os pilares de sua escrita. Júlia Grilo não se interessa em publicá-lo, no entanto, embora tenha sido convidada para tal. Aos 17, finaliza Deserção, o seu primeiro romance, cuja publicação também não veio a interessar a autora, que encontra em Cães (2020), finalmente, o início de sua trajetória no universo da literatura. É graduada em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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